Fazendeiro é preso por suspeita de sequestro e exploração de trabalho

PM flagrou funcionários sem salário e alimentação em propriedade rural. Denunciante foi levado à força de hotel em Varginha, Sul de Minas Gerais.

Um fazendeiro de 59 anos foi preso nesta sexta-feira (23) em Campanha suspeito de manter funcionários em regime de trabalho escravo em uma propriedade rural do município e de ter ordenado o sequestro de um deles após uma denúncia feita a Policia Militar. Segundo a Polícia Militar, Paulo Alves Lima foi detido após cumprimento de um mandado de busca e apreensão e o resgate de dois trabalhadores. Ele foi levado para a Delegacia de Polícia Civil de Campanha.

De acordo com a PM, o funcionário Hélio Costa de Araújo, de 41 anos, disse ter trabalhado durante cinco meses em regime de escravidão e relatou que o fazendeiro retinha documentos pessoais dele e de outros trabalhadores. Com isso, o homem foi levado por representantes do Ministério do Trabalho a um hotel, onde foi abrigado e alimentado.

Quarto onde os trabalhadores viviam foi considerado precário (Foto: Polícia Militar)Quarto onde os trabalhadores viviam foi considerado precário (Foto: Polícia Militar)

De acordo com testemunhas, horas depois, um homem esteve no hotel e levou o trabalhador à força. Ninguém impediu a violência apesar de relatos de que o lavrador teria gritado por socorro. Desde a noite de quinta-feira (22) não há notícias do paradeiro de funcionário Hélio Costa de Araújo. O responsável pelo sequestro não foi identificado, mas a polícia informou que investiga a possibilidade de que o fazendeiro tenha ordenado o sequestro. 

O trabalhador foi procurado, mas até esta publicação não havia sido localizado. A Polícia Civil trata o caso como sequestro e segue com as buscas no intuito de localizar o trabalhador.

Trabalhadores eram vigiados por homem armado
Antes do desaparecimento o funcionário Hélio Costa de Araújo disse à polícia e ao Ministério do Trabalho que ele e outros dois trabalhadores conseguiram fugir da fazenda na madrugada da última segunda-feira (19) e que pretendia voltar para a cidade natal, de Nova Serrana (MG), mas não teria conseguido por  falta de dinheiro e documentos pessoais.

O lavrardor contou que eles trabalhavam na colheita de café e corte de cana e que não havia descanso. Segundo ele, os trabalhadores eram forçados a trabalhar das 6h às 19h, inclusive aos domingos, feriados e dias chuvosos e que quando questionavam o pagamento de salário, eram agredidos.

Responsável pelo trabalho escravo foi detido nesta sexta-feira (23). (Foto: Polícia Militar)

Araújo disse aos policiais que eles eram mantidos sob vigilância constante de um homem armado que não permitia que saíssem na fazenda. Ele também contou que os colegas eram mantidos em um alojamento em péssimas condições e comida escassa. 

Outro trabalhador encontrado
Na manhã desta sexta-feira, a Polícia Militar voltou à fazenda e encontrou outro trabalhador em situação de escravidão. Vitor Lúcio da Silva, de 59 anos,  também teria confirmado as agressões, a falta de salário e as condições precárias em que viviam.

De acordo com os policiais, outros quatro trabalhadores estavam no local, mas ao perceberem a aproximação dos militares, fugiram a mando do fazendeiro. Eles entraram em uma mata existente na fazenda e não foram localizados.

Vitor Lúcio da Silva foi resgatado do local e amparado pelo Ministério do Trabalho (Foto: Polícia Militar)

Fazendeiro já foi denunciado outras vezes
Questionado, o gerente regional do Ministério do Trabalho de Varginha (MG), Mário Alves de Lima, contou que o fazendeiro já possui outras denúncias por trabalho escravo e que todas as informações já foram repassadas para a Polícia Federal em Varginha, que deve investigar a situação.

“Neste caso específico, auditores do Ministério do Trabalho estiveram no local e acompanham o trabalho da Polícia Militar para fazer o resgate dos trabalhadores. Em seguida, o empregador será chamado para prestar esclarecimentos sobre a situação em que mantinha estes homens. Ele já possui dezenas de processos do passado com várias infrações trabalhistas, ou seja, é reincidente”, contou.

Sobre Giácomo Costanti

Email: contato@valeindependente.com.br
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