Entre cafés, queijos, curiosidades e histórias: Rolando Brandão destaca força do Mercado Municipal de Pouso Alegre/MG

Presidente do SINDIPA, vice-presidente da Abrasel Sul de Minas e candidato à presidência da ACIPA, percorreu um dos espaços mais tradicionais da segunda maior cidade do sul de Minas e defende a valorização dos comerciantes, da gastronomia e da identidade local do mercadão centenário

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Fotos: Iago Almeida

Foto de drone: PMPA

Quem passa pelo Mercado Municipal de Pouso Alegre, no Sul de Minas, não encontra apenas bancas e produtos. Encontra sabores conhecidos, conversas entre comerciantes e clientes, histórias de diferentes gerações e uma parte da identidade da cidade que continua viva no dia a dia.

Construído em 1893, o Mercado fica na Avenida Duque de Caxias, no Centro, e acompanha há mais de um século as transformações do município. Para seus passageiros, convivem produtos regionais, queijos, cachaças artesanais, cafés, pão de queijo, pastel de milho e outros sabores que fazem parte da cultura mineira.

Entre uma conversa e outra com os comerciantes, Rolando Brandão, presidente do Sindicato de Hospedagem e Alimentação (SINDIPA), vice-presidente da Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel – Regional Sul de Minas), e candidato à presidência da Associação Comercial e Industrial (ACIPA), destacou o que faz do Mercado Municipal um espaço tão característico de Pouso Alegre: uma mistura entre comércio, gastronomia, tradição e histórias construídas ao longo de geração.

“Tem lugares que contam a história de uma cidade sem precisar abrir um livro. O Mercado é um deles. Você olha para as bancas, conversa com os comerciantes e percebe quantas histórias existem aqui. São pessoas trabalhando, famílias que frequentam o espaço e costumes que passam de geração para geração. Tem gente que trabalha ali há 40, quase 50 anos. Eu revivi muitas lembranças e escutei cada história que só um bom mineiro conta” , afirma Rolando Brandão.

O movimento do Mercadão vai além dos moradores da cidade. O espaço também recebe visitantes de outros municípios e reúne, em suas caixas, comércio de alimentos, bebidas, artesanato, roupas, relojoaria, ferramentas, empórios e bares. Para Rolando Brandão, esse fluxo reforça a importância de valorizar os comerciantes que mantêm o Mercado vivo e fazem dele, ao mesmo tempo, um centro de compras, convivência e turismo no coração da cidade.

“Quando a gente olha para cada banca do Mercado, não enxerga apenas um comércio. Enxerga histórias, famílias, sonhos e uma vida inteira de trabalho. Tem gente que cresceu aqui, que aprendeu o ofício com os pais e que hoje continua abrindo as portas todos os dias. Valorizar essas pessoas é valorizar as nossas raízes e reconhecer quem ajudou e continua ajudando a construir Pouso Alegre. O Mercado é feito de gente , e é isso que torna esse lugar tão especial”, ressaltando.

Sabores e tradições que contam a história de Pouso Alegre

Quem percorre os corredores do Mercado Municipal encontra uma verdadeira amostra dos sabores, costumes e da produção de Pouso Alegre e de Minas Gerais. Tem o tradicional pastel de farinha de milho, cujo modo de fazer é registrado como Patrimônio Cultural Imaterial do município desde 2010 e carrega uma tradição que remonta ao século XIX.

Tem também queijo mineiro em diferentes variedades e até picolé de queijo, uma forma diferente de apresentar um dos produtos mais associados à identidade gastronômica de Minas. Nos bares, o visitante encontra tira-gostos tipicamente mineiros e a cachaça artesanal Oh Glória!, produzida pelo Bar do Tibúrcio, que funciona no local desde 1969.

As bancas ainda guardam produtos que remetem ao antigo comércio do interior, como o tradicional fumo de rolo, ou fumo de corda, vendido por peso. Produzido a partir das folhas do tabaco, que passam por um processo de murcha, torção e cura, ele é tradicionalmente utilizado no preparo do cigarro de palha e também aparece em práticas populares no campo, como no preparo de soluções para controle de pragas em plantações.

Outro produto que chama atenção é a farinha de biju, ingrediente tradicional da cozinha mineira, produzido pelas mãos de produtores locais. Diferentemente do fubá fino, ela é produzida a partir do milho que passa por processos de maceração, moagem e torra, resultando em uma farinha de textura mais grossa e flocada.

E a variedade não para por aí. Há cafés especiais, frutas, verduras e outros alimentos produzidos na zona rural, além de artesanato, empórios e pequenos comércios que fazem do Mercadão um lugar onde o urbano e o rural se encontram.

É justamente essa diversidade que, para Rolando Brandão, pode ser melhor explorada também como experiência turística. Quem entra no Mercado não leva apenas um produto para casa: encontra um pouco dos sabores, dos costumes e das histórias de Pouso Alegre. A proposta é que o espaço seja cada vez mais reconhecido também por quem chega a Pouso Alegre a trabalho, para participar de eventos ou simplesmente conhecer a cidade.

“Temos hotéis recebendo hóspedes, empresas trazendo várias cidades profissionais, eventos atraindo público de precisamos. conectar esse movimento com o que Pouso Alegre oferece. Fazer com que quem vem para uma reunião, uma feira ou um evento também circula pela cidade, conhecer o comércio e visitar o Mercado. Turismo também é criar motivos para a pessoa sair do hotel e viver a cidade” , afirma.

Mercado precisa de investimentos públicos

Em meio ao crescimento econômico de Pouso Alegre, Rolando defende que o desenvolvimento da cidade também seja garantido pela tradição do tradicional. A importância do Mercado Municipal vai além de sua história Em 2014 o espaço atraiu até 3 mil consumidores por dia. Para ele, esse potencial precisa ser fortalecido, o número precisa ser resgatado, garantindo que os pequenos empreendedores também sejam beneficiados pelo avanço do município e pelas oportunidades geradas pelo turismo, pela gastronomia e pela circulação de visitantes

“Uma cidade pode crescer, receber investimentos e se modernizar sem aquilo que a torna único. O Mercado precisa estar inserido nesse novo momento de Pouso Alegre, com os comerciantes fazendo parte desse crescimento e com cada vez mais pessoas descobrindo o que existe ali dentro” , conclui.

Rolando Brandão colocou seu nome à disposição para presidência da Associação Comercial e Industrial de Pouso Alegre/MG (ACIPA), cuja eleição acontece em novembro (ainda sem uma data definida).

Segundo Rolando, o Mercadão não beneficia apenas os comerciantes que trabalham em seu interior, mas também contribui para movimentar as ruas do Centro, atrair consumidores e gerar oportunidades para os estabelecimentos do entorno. Valorizar o mercadão é uma forma de estimular a economia local e aproximar ainda mais a população do comércio.

“Como candidato à presidência da ACIPA, defendo um comércio cada vez mais forte, integrado e valorizado. O Mercado Municipal tem um papel fundamental nisso, porque atrai pessoas e movimenta toda a região central. Quem vem ao Mercadão para tomar um café, comprar um queijo ou encontrar os amigos também pode aproveitar para entrar em uma loja, conhecer outros estabelecimentos e consumir no comércio local. Precisamos fortalecer essa conexão, fazer com que as pessoas circulem pelas ruas, valorizem nossos lojistas e encontrem cada vez mais motivos para comprar em Pouso Alegre. Quando o Mercado cresce, o comércio ao redor também ganha oportunidades”, destaca Rolando Brandão.

A história do Mercado Municipal de Pouso Alegre começou em 1893, quando a Prefeitura Municipal adquiriu um terreno pertencente à Matriz e construiu um espaço amplo e aberto para que produtores locais comercializassem suas mercadorias. O local funcionava inicialmente apenas nos fins de semana, oferecendo produtos de primeira necessidade à população.

Com o passar dos anos, o Mercado deixou de ser apenas um ponto de abastecimento e se consolidou como um espaço de convivência. O movimento também faz parte da rotina de crianças que, com carrinhos de mão de madeira, oferecem ajuda para transportar as compras até as casas dos fregueses .

Ao longo das décadas, o prédio acompanhou as transformações da cidade. No início do século XX, passou por uma reforma que alterou sua estrutura original. Na década de 1970, uma nova intervenção modificou a sua arquitetura, enquanto a reforma realizada em 2000 deu ao imóvel o formato que mantém atualmente.

Apesar das mudanças físicas, o Mercado preservou uma característica presente desde sua inauguração: ser um ponto de encontro. O que começou como um espaço para comercializar produtos de primeira necessidade se transformou em uma referência do comércio, da gastronomia e da convivência em Pouso Alegre.

Mais de 130 anos depois, o Mercadão está longe de ser apenas uma lembrança do passado, pois continua fazendo parte da rotina de diferentes gerações. É uma história que não ficou guardada em fotografias antigas: continua sendo construída a cada dia, por quem trabalha, compra e circula por seus corredores.

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