“Em 1825, uma viúva portuguesa cumpriu uma promessa e lançou as bases de uma cidade que atravessaria os séculos.
Não foi um rei. Não foi um general. Não foi um bandeirante em busca de ouro.
Foi Dona Genoveva Maria Martins da Fonseca, nascida em Olivença, Portugal. Uma mulher que atravessou o oceano com a família, perdeu o marido em uma terra distante e, mesmo diante da dor e das incertezas, decidiu honrar a promessa que ele havia feito a uma santa.
A história começa muito antes da fundação de Santa Rita do Sapucaí.
Na época, Olivença era uma região disputada entre Portugal e Espanha. Quando o território passou ao domínio espanhol, a família Fonseca optou por deixar sua terra natal. Embarcaram rumo ao Brasil em busca de um novo começo.
Segundo registros históricos e tradições preservadas na região, Manoel José da Fonseca teria prestado serviços à Coroa Portuguesa durante o período das Guerras Napoleônicas. Há relatos de que a família chegou ao Brasil com recomendações ligadas ao governo de D. João VI, o que teria facilitado o acesso a terras devolutas em um país que ainda estava em formação.
A primeira parada foi Baependi, onde a família prosperou com o comércio. Porém, ao saber da existência de terras férteis às margens do Rio Sapucaí, Manoel decidiu recomeçar mais uma vez. Vendeu seus bens, reuniu a esposa, Dona Genoveva, e os filhos Antônio e Maria Rita, seguindo rumo ao desconhecido.
A família se estabeleceu nas proximidades do Ribeirão do Mosquito.
Foi ali que, segundo a tradição, ocorreu o episódio que mudaria para sempre a história da região.
Os registros não esclarecem qual foi o perigo que ameaçou a vida de Manoel José da Fonseca. Apenas relatam que ele sobreviveu e atribuiu sua recuperação à intercessão de Santa Rita de Cássia, conhecida como a santa das causas impossíveis.
Em agradecimento, fez uma promessa: se fosse salvo, doaria parte de suas terras para a construção de uma capela dedicada à santa.
Ele, porém, faleceu antes de cumprir a palavra.
Viúva, em uma terra distante, com filhos para criar e longe de sua pátria, Dona Genoveva poderia ter desistido. Poderia ter vendido tudo e seguido outro caminho.
Mas escolheu honrar a promessa do marido.
Em 22 de maio de 1825, assinou a escritura de doação de aproximadamente oito alqueires de terra ao patrimônio de Santa Rita de Cássia.
Na mesma data, o padre Mariano Acciolli celebrou a primeira missa na capela construída por sua iniciativa.
A imagem de Santa Rita, trazida de Portugal e conduzida até aquelas terras, foi colocada no altar.
Naquele dia, mais do que uma celebração religiosa, nascia oficialmente o núcleo que daria origem ao município de Santa Rita do Sapucaí.
Ao longo dos anos, o povoado recebeu diferentes denominações, como Santa Rita do Mosquito, Santa Rita do Vintém e Santa Rita da Boa Vista. Contudo, foi o nome ligado à devoção de Dona Genoveva que permaneceu para sempre.
Ela não partiu após a inauguração da capela. Permaneceu ajudando na organização da comunidade e é reconhecida por diversos historiadores locais como uma das personagens mais importantes na formação do povoado que, décadas depois, se transformaria em cidade.
Em uma época em que cidades costumavam nascer por decretos imperiais, expedições militares ou grandes empreendimentos, Dona Genoveva escreveu uma história diferente.
Fundou uma cidade movida pela fé, pela coragem e pelo compromisso com uma promessa.
Oito alqueires de terra, uma pequena capela e uma profunda devoção a Santa Rita de Cássia foram suficientes para dar início à história de uma das cidades mais importantes do Sul de Minas.Observação histórica
Esta é uma das narrativas mais conhecidas e ensinadas desde a infância pelos moradores de Santa Rita do Sapucaí. No entanto, alguns aspectos ainda são debatidos por pesquisadores e historiadores.
Há estudos que apontam que Dona Genoveva talvez nunca tenha residido de forma permanente em Santa Rita do Sapucaí, mas sim em Pouso Alegre, sendo possível que um de seus filhos mantivesse uma residência na região conhecida como Rua da Pedra.
Também existem versões segundo as quais a imagem de Santa Rita não pertencia à família Fonseca, mas a um fazendeiro que os teria acolhido em suas terras.
Apesar dessas divergências sobre detalhes da narrativa, há consenso de que a promessa feita a Santa Rita, a doação das terras, a construção da capela e a celebração da primeira missa, em 22 de maio de 1825, representam o marco histórico da fundação do povoado que deu origem à atual Santa Rita do Sapucaí.
Se for publicado como artigo histórico, vale a pena citar as fontes utilizadas e destacar claramente quais informações são documentadas e quais fazem parte da tradição oral, ajudando o leitor a distinguir fatos comprovados de relatos transmitidos ao longo das gerações.”
Giácomo Costanti





















