Academia de Letras realiza primeira reunião depois da pandemia

Sessão solene recebeu uma nova acadêmica e apresentou dois livros, além de uma apresentação ao piano

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Após mais de dois anos sem atividades, em função da pandemia, a Alca – Academia de Letras, Ciências e Artes de Santa Rita do Sapucaí realizou uma sessão solene para retomar aos seus trabalhos. Foi a primeira sessão já com a presidência do acadêmico Ronaldo de Azevedo Carvalho, empossado em setembro do ano passado. Esta primeira reunião deu posse, com o protocolo necessário, para a acadêmica Patrícia Aparecida Vigilato. Patrícia já havia sido diplomada em março do ano passado, porém não passou pelo rito da posse (discurso em homenagem ao patrono da cadeira e juramento). Durante a sessão também foram apresentados dois livros. O primeiro do acadêmico José Geraldo de Souza e o segundo do escritor e filósofo Cristiano Flávio. A solenidade aconteceu no último dia 28 de maio, no Auditório Aureliano Chaves no Inatel – Instituto Nacional de Telecomunicações.

Homenagens
Antes do início da sessão, a Academia rendeu homenagens com de um minuto de silêncio para duas personalidades falecidas recentemente, o produtor rural José Procópio Carneiro Junqueira (“Procopinho”) – autor do livro “Santa Rita do Sapucaí 200 anos atrás” e também para a musicista, flautista e professora Ana Paula Carvalho Souza (“Puiú”) – uma das criadoras do Prodarte e filha do acadêmico José Maria da Silva Souza, este falecido em março do ano passado.
O presidente Ronaldo Carvalho agradeceu a presença dos acadêmicos, autoridades e público presente e fez o seu discurso de abertura. O presidente deu as boas vindas a todos e citou a importância da Academia na vida cultural de Santa Rita. “Hoje é uma data importante pois a nossa Academia, fundada em 28 de setembro de 1985, ainda está viva, atuante e forte. Nada nos faz parar, nem uma pandemia. Isso demonstra a vitalidade desta instituição. Temos um compromisso de mantê-la forte, atuante e participando da vida sócio, econômica e cultural de nossa comunidade”, disse Ronaldo.

Passaporte para a vida
Na sequência, como rege o estatuto da Alca, foi feita a apresentação da professora Patrícia Vigilato pelo acadêmico que a indicou para os quadros de membros efetivos da entidade. O fez o acadêmico Evandro Carvalho da Silva. Carvalho falou sobre o trabalho da nova acadêmica no Centro de Memória do Inatel e da exposição dos 30 anos da Alca – realizada no ano de 2015, na qual Patrícia liderou uma equipe para a consecução deste trabalho. O acadêmico também disse que Patrícia será importante para a Academia para preservação de seus documentos e memória em geral. A nova acadêmica tem formação em história.
Patrícia Vigilato em seu discurso disse que é uma honraria fazer parte da Alca, algo gratificante e especial, e lembrou o fato de ser a primeira mulher negra a integrar os quadros da Alca. “Confesso que sonhava um dia ser eleita para a Alca. Utopia secretamente compartilhada com apenas duas pessoas: Ana Paula Faria Braga – uma amiga pedralvense que hoje reside na Argentina e Guilherme – meu companheiro de caminhada, sonhos, lutas e conquistas. Não pude conter minha emoção e entusiasmo naquela manhã de 05 de março de 2020 quando recebi a honrosa visita do ilustre professor José Antônio Justino Ribeiro, então presidente da Alca, e do amigo e acadêmico Evandro Carvalho da Silva. Após um ano do convite, devido a pandemia da Covid-19, que interrompeu e postergou nossos planos, recebi em casa meu diploma de acadêmica – mais uma vez, uma grande alegria. Felizmente, hoje, após a vacinação, espécie de ‘passaporte’ para vida e reencontros, estou sendo agraciada por estar aqui diante das senhoras e dos senhores proferindo estas palavras e revivendo mais uma vez e emoção do convite”, explanou a acadêmica. Patrícia Vigilato citou ainda o cantor e compositor Gilberto Gil – membro da Academia Brasileira de Letras e a escritora Djamila Ribeiro – ocupante de uma das cadeiras da Academia Paulista de Letras como dois exemplos da artistas negros integrando academias. A nova acadêmica rendeu homenagens a Rodolfo Guerino Adami – patrono de sua cadeira, leu o juramento na presença do presidente da Alca e recebeu simbolicamente (já havia recebido ano passado) o “Diploma de Acadêmica” das mãos do então presidente – acadêmico José Antônio Justino Ribeiro.

Dia histórico
Em seguida na agenda da sessão, foi apresentado o livro “Passagens” (Fontenele Publicações, 2022) de autoria do acadêmico e professor José Geraldo de Souza. O livro traz relatos da vida pessoal, acadêmica e profissional de José Geraldo. A obra foi lançada em março deste ano e além dos relatos, tem também poemas do autor. “Sempre gostei de escrever e sempre fui um admirador da língua portuguesa”, disse o professor durante sua fala. José Geraldo explicou que gostaria de ter lançado o livro primeiro na Academia, mas a pandemia na permitiu. “Eu tive quando fiz este livro, e fui convencido a publicá-lo, a intensão única de fazer o lançamento pela Academia, mas a Covid, o isolamento e todas aquelas perturbações não permitiram que pudessemos fazer uma reunião. Não foram poucos esforços que o presidente Ronaldo fez, mas não conseguimos por falta de lugar, por falta de condições, Gostaria de agradecer a generosidade do Sr. presidente de fazer esse lançamento nessa sessão solene. Isso me envaidece muito de poder falar aos acadêmicos”, relatou o professor.
Convidado pela Alca para a sessão, o filósofo e escritor Cristiano Flávio Ribeiro Neto, também apresentou seu livro na reunião. “Na companhia do monstro, incursões subterrâneas no vale dos parasitas” (edição do próprio autor, 2021), é um livro onde o escritor explora no eixo da filosofia temas com o tempo, cotidiano, política, a condição humana, entre outros. Durante a sua palestra Cristiano afirmou que Santa Rita é uma cidade “racista”, além de fazer outras críticas. “É um dia histórico estar aqui na presença dos senhores e cumprimento a Patrícia, primeira integrante negra da Academia. É uma celebração, algo especial e é um sintoma também que em nossa sociedade santa-ritense temos horizontes. Santa Rita é uma cidade racista. Sempre gostei de filosofia e entendo que a função do filósofo é instigar a sociedade, assim como Sócrates o fazia na ágora grega. Não posso, portanto, deixá-los aqui sem instigar, sem refletir. Santa Rita é um lugar que de certa maneira conserva uma monocultura, não há um mercado plural”, comentou o autor.
Para celebrar a primeira sessão pós-pandemia, o acadêmico e pianista Caio Nelson Vono de Azevedo fez uma breve apresentação da história da famosa trilha sonora do filme Casablanca (1942) e executou algumas peças ao piano.

Texto e foto: Evandro Carvalho, acadêmico e jornalista.

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