Academia de Letras realiza mais um Painel de Literatura

Manoel de Barros, Toni Morrison e Alejo Carpentier serão os escritores analisados

O Painel de Literatura está de volta. Nesta quinta-feira (24), a Alca – Academia de Letras, Ciências e Artes de Santa Rita do Sapucaí realiza o Painel a partir das 19h no Inatel – Instituto Nacional de Telecomunicações, Auditório Aureliano Chaves. A entrada é gratuita. O evento tem como objetivo estender as ações da Alca para toda a comunidade e permite aos visitantes a declamação de textos e poemas. Como acontece em todos os Painéis, três escritores são apresentados e debatidos. No Painel de quinta-feira serão analisados o poeta Manoel de Barros, a escritora norte-americana Toni Morrisson e o escritor e ensaísta cubano Alejo Carpentier.

A partir da esq., o poeta Manoel de Barros, a escritora Toni Morrisson e o ensaísta e escritor Alejo Carpentier.

Pequenas coisas

Manoel Wenceslau Leite de Barros, ou simplesmente Manoel de Barros, nasceu em Cuiabá (MT) em 19 de dezembro de 1916. Faleceu em 13 de novembro de 2014. Mudou-se ainda menino para Campo Grande (MS), lugar por onde viveria até o fim de seus dias. Formou-se bacharel em direito no Rio de Janeiro (RJ) e estudou cinema e fotografia em Nova York (Estados Unidos). Era avesso a aparições públicas e só teve um maior reconhecimento a partir dos anos de 1980, “descoberto” que foi pelo jornalista Millôr Fernandes. Era apelidado de “O Guimarães Rosa da poesia”. Certa vez um crítico literário apelidou a autor de Grande Sertão: Veredas de “O Manoel de Barros da prosa”. Sua obra passeia desde o modernismo até o movimento surrealista. Barros procurava chamar a atenção para a importância das pequenas coisas do cotidiano especialmente os elementos da natureza. Gostava do Padre Antônio Vieira, mas depois rompeu com este por entender que ele classificava a frase como algo mais importante do que a verdade. Foi fortemente influenciado por Arthur Rimbaud. Escreveu dezenas de livros. Destaque para “Compêndio para uso dos pássaros” (1960), “Retrato do Artista quando coisa” (1998), “Tratado geral das grandezas do ínfimo” (2001). Foi agraciado com inúmeros prêmios com destaque para dois Prêmios Jabuti. Era criador de gado, o que nunca o impossibilitou de produzir seus poemas. Morreu muito deprimido aos 98 anos com falência múltipla de órgãos.

Projeção internacional

Toni Morrisson nasceu Chloe Ardelia Wofford em 18 de fevereiro de 1931no Estado de Nova York (Estados Unidos). Faleceu recentemente em agosto deste ano aos 88 anos. Aos 12 anos converteu-se ao catolicismo e foi batizada com o nome “Anthony”, o que explica seu codinome. Estudou inglês nas universidades Howard e Cornell. Em Howard conheceu o marido, professor e arquiteto, Harold Morrisson, com quem teve dois filhos. De família negra, viveu modestamente seus primeiros anos de vida. Seu pai gostava de contar histórias do cotidiano da vizinhança. Isso a influenciou em sua narrativa. Gostava de Jane Austin e Liev Tolstói. Em 1970 publicou seu primeiro romance, “O olho mais azul”, que contava a história de uma menina negra que queria ter olhos azuis. Em 1977, com a publicação de “A canção de Solomon” ganhou projeção internacional e ficou mundialmente conhecida. Em 1987 publicou “Amada” que conta a história de uma mãe escrava que mata a filha recém-nascida para não sofrer. O espírito da criança volta e cresce até se tornar uma mulher. Sucesso de crítica e público, Amada foi decisivo para que Morrison ganhasse o Prêmio Nobel de Literatura em 1993, por sinal a primeira mulher negra a ser laureada com esta premiação. Há uma versão de Amada para o cinema estrelada por Oprah Winfrey e Danny Glover. Pode-se dizer que a obra de Toni Morrisson é engajada com relação à herança da escravidão: o racismo, tão presente que é nos Estados Unidos. Muitos também diziam que seus livros também continham o discurso feminista. Ela discordava. “Não concordo com o patriarcado, e não acho que ele deve ser substituído pelo matriarcado. É uma questão de acesso igualitário, de abrir portas para todos os tipos de coisa”.

Passos perdidos

Alejo Carpentier nasceu em Cuba a 26 de dezembro de 1904. Foi jornalista, preso político, músico, ensaísta e escritor. Com o “Reino deste mundo” (1949) rompe definitivamente com o movimento surrealista. Os críticos o colocam ao lado do mexicano Juan Rulfo como o precursor do realismo fantástico na literatura da América Latina. Também era músico e estudou a fundo a obra do compositor Igor Stravinsky. Em “O Reino deste Mundo”, o escritor conta a história do escravo negro Ti Noel, duas vezes escravo. Primeiro com o governo dos brancos e depois sob o governo revolucionário do negro Henry Christophe, que separou o Haiti da Republica Dominicana. O livro é rigoroso quanto aos fatos reais que aborda, somando a eles acontecimentos surreais. Digno de citação o personagem Macandal, um escravo mandinga que se transforma em qualquer animal. Carpentier também escreveu “Os passos perdidos” (1953), embora não confessado, um claro retrato autobiográfico. Relata a história de um compositor erudito que abandona o conforto da Europa para experimentar novas sonoridades em meio à floresta tropical. Carpentier também escreveu “É-cue-Yamba-O!” (1933), “O século das luzes” (1962), “A harpa e a sombra” (1979). Faleceu em Paris em 1980. Para mais informações sobre o Painel de Literatura o telefone/whatsapp é (35) 9.8810-5947. 

Texto: Evandro Carvalho, acadêmico e jornalista. Fotos: Reproduções.   

Sobre Giácomo Costanti

Email: danieli@valeindependente.com.br
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