Dr. Erasmo Camanducaia – O que são Parestesias?

Muitas vezes já recebi pacientes em meu consultório queixando-se de uma intercorrência desagradável após certos procedimentos realizados em consultórios de colegas. Elas chegam achando que é algum tipo de erro de técnica provocado pelo profissional. E outras vezes, em meus pacientes essa intercorrência já se estabeleceu por procedimentos realizados por mim.

Esse efeito adverso dos procedimentos, geralmente cirúrgicos, é a chamada PARESTESIA. Não confunda com paralisia, que é a perda da função motora (movimentos). Mas o que é a parestesia?

A parestesia é uma alteração nervos ( nos nervos ) caracterizada pela perda da sensibilidade na área inervada pelo nervo lesado. Como os pacientes reclamam: “ é a sensação de persistência da anestesia. Mas veja, não há perda de movimentos, apenas sensibilidade.

É uma complicação associada ao bloqueio nervoso dos nervos alveolar inferior e lingual mas, pode estar também presente em outras técnicas de “bloqueio regional”. Nunca acontecendo com anestesias infiltrativas.

Quase sempre a parestesia acontece após procedimentos cirúrgicos, em especial as EXTRAÇÕES DE TERCEIROS MOLARES (CISOS) INFERIORES e instalações de implantes. Entretanto, pode acontecer também em outros bloqueios regionais mesmo em intervenções não cirúrgicas.

Temos várias explicações possíveis para essa intercorrência:

1) Trauma direto causado pela penetração da agulha.

2) Compressão do nervo causado pelo edema perineural após a injeção.

3) Lesão de pequenos vasos sanguíneos levando a hemorragia intraneural.

4) Neurotoxicidade do sal anestésico ( em especial a Articaína )

A neurotoxicidade dos anestésicos é muito controversa. Há autores que não aceitam essa possibilidade mas, pesquisas tem demonstrado esse potencial em relação a prilocaína e a articaína, esse último em especial. Há evidências claras desse potencial.

A parestesia será tanto mais grave quanto maior for a duração da perda de sensibilidade.

A recuperação do nervo afetado, em geral ocorre espontaneamente, pelo processo de reparação natural do organismo, geralmente após um período de 2 meses. Contudo, a parestesia pode persistir por períodos maiores; de 6 a 18 meses, e em casos mais duradouros, até mesmo inviabilizar a recuperação nervosa, tornando a perda da sensibilidade permanente.

SINAIS E SINTOMAS

Caracterizada pela perda da sensibilidade, ou formigamento na região atendida pelo nervo lesado. Alguns pacientes também relatam de alteração na função gustativa por causa da lesão do nervo lingual.

HÁ COMO PREVINIR?

O principal requisito para a prevenção é o planejamento correto e o amplo conhecimento da anatomia aplicada e das técnicas cirúrgicas. Requer conhecimento na anatomia do nervo alveolar inferior e da projeção das raízes do terceiro molar inferior em relação ao canal mandibular. O estrito planejamento da técnica cirúrgica, com acesso correto, menor traumatismo possível, menor lesão tecidual são essenciais para a prevenção da parestesia. Para tal, a experiência, conhecimento e habilidades do cirurgião dentista são fundamentais.

Outros cuidados também podem ser mencionados:

– Preferir soluções anestésicas a base de lidocaína e mepivacaína e não utilizar articaína em bloqueios regionais.

– Usar agulhas de ótima qualidade e menos traumáticas.

– Fazer uma única punção e sem movimentos.

TRATAMENTO

Como é normal, todos os pacientes ficam ansiosos para a solução do problema, que é bem desconfortável. Sendo assim, eles devem ser lembrados constantemente que a maioria dos casos se resolve sozinho.

O melhor remédio infelizmente é a paciência. Não há um tratamento efetivo para a parestesia bucal. O certo é que o quanto mais rápido se iniciar as terapias de tratamento mais resultado teremos e melhor será o prognóstico.

As formas de tratamento propostas atualmente são compostas de terapêutica com medicamentos, fisioterapia, eletro estimulação, laserterapia e acupuntura; que podem ser usadas isoladamente ou em conjunto.

MEDICAMENTOS

1) DEXACITONEURIM: Associação de Dexametasona 0,5 mg vitaminas do complexo B
(B1, B6 e B12)

2) ETNA: Fosfato dissódico de Citidina 2,5 mg, Trifosfato Dissódico de Uridina 1,5 mg
associados a vitamina B12 , 1 mg.

3) MAGNEN B6: Glicinato da Magnésio com vitamina B6

LASERTERAPIA DE BAIXA POTÊNCIA

A irradiação emitida com os laseres tem propriedades anti-inflamatórias e bioestimuladoras já comprovadas. Essas propriedades auxiliam na regeneração nervosa. A crítica que se faz é a lentidão com que os resultados aparecem com esse método.

ACUPUNTURA

É um método alternativo, muito usado nas parestesias crônicas em que os outros métodos não obtiveram resultado.

DEVEMOS LEMBRAR QUE AS PARESTESIAS SÃO OCORRÊNCIAS QUE NÃO SE PODE ELIMINAR POR COMPLETO. Pode-se prevenir com planejamento e conhecimento cirúrgico mas não se trata de um erro ou descuido de técnica.

REALIZAR OS PROCEDIMENTOS COM UM PROFISSIONAL COMPETENTE E EXPERIENTE É ESSENCIAL. E OS PACIENTES DEVEM SEMPRE SER ALERTADOS PARA A POSSIBILIDADE DESSA INTERCORRÊNCIA. TRANSPARÊNCIA SEMPRE. E SE OCORRER, O TRATAMENTO DEVE SER INICIADO IMEDIATAMENTE.

DR. ERASMO CAMANDUCAIA – ESPECIALISTA EM IMPLANTODONTIA – ESPECIALISTA EM ENDODONTIA – PÓS GRADUADO EM PRÓTESE, ODONTOLOGIA ESTÉTICA E HARMONIZAÇÃO OROFACIAL.

R. JOÃO RENNÓ 68 – CENTRO – SANTA RITA DO SAPUCAÍ MG TEL: (35) 3471 2333

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