Pelo fim das candidaturas de líderes religiosos para cargos políticos ou públicos

leiNos últimos anos no Brasil, temos assistido a verdadeiras ameaças aos direitos civis. Uma bancada, com clara intenção de instaurar uma teocracia no País, vem sorrateiramente se infiltrando em todas as instâncias de poder, municipal, estadual e federal, sugerindo projetos de lei que são verdadeiros ataques à laicidade do Estado brasileiro, pressionando e colocando o restante do legislativo numa posição de refém de seus princípios religiosos e dogmáticos.

Tem sido uma luta desigual, pois os mesmos candidatos sendo também líderes religiosos, contam com palanque contínuo em suas próprias congregações. Além disso, fica difícil para o Estado garantir a transparência da origem do dinheiro arrecadado para suas campanhas.

Vimos por meio dessa, exigir de nosso Congresso uma mudança urgente na legislação eleitoral do País nos moldes da legislação mexicana, que proíbe ministros de cultos religiosos de se associarem com fins políticos, assim como realizar proselitismo a favor ou contra candidato, partido ou qualquer associação politica. Aqueles líderes religiosos que desejam se candidatar no México devem se desligar formal, material e definitivamente de seus ministérios religiosos em um prazo de 5 anos da data das eleições, ou em um prazo de 3 anos para a aceitação de vaga em cargos públicos, e pensamos que esse prazo seria o suficiente para que se garanta a autonomia do candidato em relação à sua congregação religiosa.

A lei brasileira, no inciso VIII do artigo 24 da Lei nº 9.504/97 veda, a partido e candidato, o recebimento direto ou indireto de doação em dinheiro ou estimável em dinheiro, inclusive por meio de publicidade de qualquer espécie, procedente de entidades religiosas. Portanto, se é natural que as entidades religiosas sejam proibidas de oferecer ajuda financeira a candidatos, pois isso poderia afetar o laicismo do estado (como já decidiu o Tribunal Superior Eleitoral), a mesma premissa há de ser aplicada à constituição e ao funcionamento de partidos políticos religiosos, assim como à introdução de crenças religiosas na campanha eleitoral. Isso porque política e religião jamais devem se misturar, incluindo-se aí a hipótese de candidatos se apresentarem em templos e igrejas ou quaisquer agrupamento com fins religiosos.

Devemos exigir de nosso Congresso legislação similar para que seja garantida a laicidade do Estado brasileiro. Quanto aos líderes religiosos já eleitos e no exercício de seus mandatos políticos (quaisquer que sejam seus cargos), poderão concluir os mesmos, porém deverão entregá-los após o cumprimento de suas funções. Durante a campanha, um político poderia se candidatar enquanto fiel seguidor de qualquer religião, desde que a mantenha em caráter privado, mas ficaria vedado o uso em campanha ou no exercício do legislativo de argumento baseado em princípios religiosos para negar quaisquer direitos civis e humanos de segmentos sociais ou religiosos minoritários. Afinal, na História da humanidade, se pode comprovar a catastrófica consequência da intromissão da religião na política.

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7 respostas para Pelo fim das candidaturas de líderes religiosos para cargos políticos ou públicos

  1. Mauricio de Souza disse:

    Aprovado. Seu líder religioso não pode obriga-lo a votar em candidato x ou y só porque esse candidato é de sua religião. Não podemos permitir que pessoas mau intencionadas usem da religião para buscar candidatura e assim tentar impor uma teocracia em nosso país.
    A maioria dos que são da bancada evangélica que agora ocupam cadeiras no congresso respondem por crimes como desvios do dinheiro publico e outros absurdos. Temos também como representante da comissão de direitos humanos um pastor racista homofóbico e misógino.
    Não podemos perder a beleza de um país laico.
    Se seu pastor indicar um candidato, diga não.
    Ouvi pela rádio de nossa cidade um certo pastor dizer que os evangélicos devem favorecer pastores candidatos de sua igreja e achei um absurdo.
    O seu direito de voto foi conquistado através de muita luta. E agora vigaristas que ficam em pé atrás do púlpito, de batina ou terno, querem tirar de você esse direito de refletir e escolher por sua própria vontade o seu representante.
    Cuidado, pois esses “representantes de Deus ” só visam uma coisa : O PODER. E pode ser que amanhã o seu representante baseado em uma leitura de distorção do livro sagrado junto com suas convicções doentias, venham a derramar sobre nossas mulheres e jovens imposições baseadas em suas leis santas, restringindo nossa liberdade e impondo suas vontades “santas”
    goela abaixo das minorias. Já vemos isso acontecendo em países islâmicos onde mulheres tem suas vidas vigiadas por homens religiosos que restringem e decidem o que elas devem vestir e onde irem. Abaixo a uma teocracia onde o que por detrás da falsa cortina do bem, se esconde um retrocesso amargo.

  2. Jamaica disse:

    E onde fica o direito à liberdade de expressão do cidadão brasileiro? Se formos pensar assim temos que tirar pessoas influentes como os artista, jogadores de futebol, etc..
    Não concordo com esse protesto…

    • Maurício de Souza disse:

      Religiosos podem sim se candidatarem, mas não podem é impor seu ponto de vista acima da constituição. achando que representa uma teocracia, passando por cima de uma democracia.

  3. Cláudia disse:

    Mauricio de Souza viajou bonito heim… isso que você falou não tem nada haver, você comparou os políticos religiosos com os caras do islã???? Meio exagerado você. Acho que sendo pastor, padre, ou qualquer coisa, todos tem o direito de se candidatar, ISSO É UM DIREITO DE QUALQUER PESSOA, ninguém obriga ninguém a votar em pastor ou etc. Acho errado essa petição, tanta coisa importante ai pra mudar pra melhorar e vocês continuam tentando mudar isso ai, se você quer que seus direitos sejam respeitados, respeite os direitos dos outros.

  4. Mota disse:

    Deviam proibir candidatura de bandidos! Não concordo com esse manifesto!

  5. Maurício de Souza disse:

    Todos tem esse direito sim. E não é exagero não. Vemos na tv pastores televisivos demostrando apoio total a candidatos e instigando suas ovelhas a votarem cegamente.
    Não só quero meu direito respeitado mas também de todos os demais e não somente de um grupo religioso que descobriu que é melhor politicar do que evangelizar.
    Por essa escolhas temos hoje, embora sejamos um país laico, muitos desrespeitos a nossa constituição, Como, cidades que gastam dinheiros publicos com estatuas carissimas em homenagem a religião A ou B, desrespeito a religiões de menor expressão. Desrespeito a constituição na arrecadão de impostos de igrejas evangélicas, que no momento, não tem que prestar conta de seu caixa a receita. Sem contar que avanços tanto na medicina quanto em areas da saúde, principalmente na saúde da mulher, estariam correndo risco com representantes que primeiro colocam sua fé acima da constituição.

  6. Arnaldo disse:

    Realmente o poder que os pastores exercem sobre o povo é enorme. Tanto que é fácil ver fies doando a própria casa/carro/cartões de credito com senha para eles se esbanjarem, comprarem iates, redes de tv, etc… Imagina com que facilidade eles não conseguem ganhar também o voto dessas pessoas.

    Não sou contra essas doações. Muitas pessoas se sentem bem doando e só afeta a própria pessoa. O problema é que o voto afeta a pessoa e toda a população.

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