Show da Terra no Céu

Por Ivon Luiz Pinto

Da licença Senhor!

Pode entrar, Romeu! Aqui você não precisa pedir licença, não! Quem vem para o Céu é porque faz parte da família. Entre, a casa está pronta, reúna-se a nós. Já, pois estávamos esperando. A voz de São Pedro que o convidava, era forte e ao mesmo tempo suave. Ele bate palma três vezes e um anjo translucido aparece carregando uma veste e Romeu se reveste de luz. O ambiente é calmo, de uma luminosidade que ele nunca havia visto, luz forte sem doer nos olhos, sem causar desassossego. Luz que trás paz, embora haja muito sons. Não há sol nem lua para iluminar, mas apenas essa luz que vinha de uma fonte que envolvia tudo como se tudo morasse dentro dela. Um pequeno anjo, de arpa nas mãos, pois arpa é o instrumento dos anjos, puxa a túnica de São Pedro e lhe pergunta se era aquele que faltava, e aponta para um lugar distante onde estavam várias pessoas, todas revestidas de luz e com instrumentos na mão. Com os olhos da ama, que tudo veem, ele reconheceu, um por um seus companheiros do Jazz Brasil, O seu Alam, o Zequinha Major, Seu Zito, Seu Carmelo e seu filho, o Professor João e tanto outros. De repente sua veste explodiu na luz de tanta alegria quando percebeu vindo ao seu encontro, com sorriso franco, de cavaquinho na mão, o Zé Seda, cunhado e companheiro de muitas músicas. O aperto de mão não foi aperto de mão, o abraço não foi abraço. Foi um penetrar de luz dentro de outra luz. Não soube explicar, mas, assim, do nada, surgiu um saxofone em suas mãos, era o seu sax alto, marca King de tanto usara na terra. E lá estava ele, junto antigos companheiros, num palco de nuvens coloridas, azuis formando o piso, avermelhadas, alaranjadas, erguendo-se em dosséis. A música Moonlight Serenade saiu livre, leve e envolveu todo o céu.

Não havia altos falantes e nem fios, mas era estava em todo o lugar e eis que ao mesmo tempo, o cavaquinho de Zé Seda, acompanhado de Zé Liquinha e Moraes rompe com os acordes da valsa subindo ao céu, e ele, Romeu, estava tanto no Jazz Brasil como no trio do Zé Seda, tocando em ambos, sem perder o ritmo e sem misturar  as melodias, um anjinho comentou eufórico, como é lindo  show da terra! E os anjos se puseram a dançar…

Sobre Giácomo Costanti

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4 respostas para Show da Terra no Céu

  1. Sidinei J.Rodrigues disse:

    Fantástico como sempre o professor Ivon.mas o Zé ´liquinha e ninquinha…mas como é bom relembrar os bons tempos.parabens pela reportagem.

  2. ANDREA MOREIRA LIMA disse:

    Maravilhoso relembrar essas pessoas! Que saudade do meu tio Moraes.Parabéns belíssima reportagem!!

  3. Rita ( Cassinha ) disse:

    O professor Ivon , quando comecei a estudar no colégio Sinhá Moreira fez um discurso lindíssimo ( eu era quase adolescente nessa época ) em uma comemoração que já me foge da memória. Terminou citando os versos de Manuel Bandeira: “Vou-me embora pra Pasárgada”. Nasceu aí a curiosidade de saber o que era Pasárgada e quem era esse tal de Manuel. E principalmente , quem era o homem lá na frente que falava tão bem.
    Dessa data tão distante ficou aquele professor sensacional de História que – descobri depois – era casado com minha primeira professora , a que me ensinou a ler – D. Rita Sêda; o desejo de também ser professora, amparado por outros bons professores, e a vontade de também um dia ir para Pasárgada onde serei amiga do rei…
    Mais uma vez, agora colega Ivon, maravilhoso seu texto. De um lirismo bem saudoso, que só encontramos em poetas já ausentes.
    Deu saudade do meu tempo de pequena, lá de baixo da sacada do colégio, misturada ao resto dos alunos, coração desejoso de saber, ansiando por tantos conhecimentos; aprendendo a ser gente nessa vida. Bom saber que você ainda continua escrevendo e quem sabe até, despertando novos poetas nessa tão distante Santa Rita.
    Um abraço saudoso dessa ex-aluna .
    ( pra me identificar, filha do Renato Gomes e irmã do Renatinho )

  4. Jose Benedito disse:

    Esse professor Ivon é fera mesmo. Tem um saber e um vocabulario riquissimo.
    Gosto muito de ouvi-lo. Essa do trio é muito legal.

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