Morre o escritor JD Salinger

Autor de ‘O apanhador no campo de centeio’ estava com 91 anos. Morte foi em decorrência de causas naturais, diz filho

A agência de notícias Associated Press informou nesta quinta-feira (28) que o escritor J.D. Salinger, autor de “O apanhador no campo de centeio”, morreu aos 91 anos. A morte foi por causas naturais, informou o filho de Salinger, em nota divulgada pelo representante literário do escritor. Salinger estava em sua casa em Cornish, New Hampshire, onde vivia em isolamento há décadas.

O romance “O apanhador no campo de centeio” com seu imortal protagonista – o rebelde Holden Caulfield – foi lançado em 1951 durante o período da Guerra Fria. A história de alienação juvenil e perda da inocência foi adotada por adolescentes em todo o mundo e vende cerca de 250 mil cópias por ano. No total, já são mais de 60 milhões de exemplares em diversas línguas.

No Brasil, “O apanhador no campo de centeio”, a coleção de contos “Nove histórias” (53) e o romance “Franny & Zooey” (61) são publicados pela Editora do Autor. Já “Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira & Seymour, uma apresentaçao”, que reúne duas histórias do autor de 63, foi editada por aqui pela L&PM, Brasiliense e Companhia das Letras.

Continuação não-autorizada

Em junho do ano passado, Salinger voltou ao noticiário após processar o escritor sueco Fredrik Colting, que escreveu “60 Years Later: Coming through the Rye” (’60 anos depois: saindo dos campos de centeio’, em tradução livre), uma continuação não-autorizada dos eventos narrados no original.

Em setembro, o juiz de uma corte de apelação dos EUA classificou o livro de Colting como “um trabalho bastante medíocre”, e questionou se o livro prejudicaria o famoso escritor.

Na ocasião, Marcia Paul, advogada de Salinger, disse que seu cliente recusou ofertas do produtor de Hollywood Harvey Weinstein e do diretor Steven Spielberg para escrever uma sequência. “Salinger não deseja autorizar uma sequência ou uma variação”, disse ela.

O autor, como de praxe desde a década de 80, não concedeu entrevistas sobre o episódio.

“Amo escrever”, disse Salinger em 1974, em uma de suas raras concessões ao jornal “The New York Times”. “Mas, só escrevo para mim mesmo e para o meu prazer”.

Trajetória

Jerome David Salinger já tinha 32 anos de idade quando estreou em 1951, com “O Apanhador no Campo de Centeio”, uma história de um adolescente rebelde e suas experiências quixotescas em Nova York, que elevou o escritor ao topo da cena literária.  O romance causou polêmica pela liberdade com a qual o autor descrevia a sexualidade e a rebeldia adolescente.

Salinger não publica um trabalho literário com sua assinatura desde o conto “Hapworth 16, 1924” em junho de 1965. E não concede entrevistas desde 1980.

O autor, filho de um judeu importador de queijos kosher e de uma escocesa-irlandesa que se converteu ao judaísmo, cresceu em um apartamento da Park Avenue, em Manhattan, estudou durante três anos na Academia Militar de Valley Forge e em 1939, pouco antes de ser enviado à guerra, estudou contos na Universidade de Columbia.

Em relação a outros escritores, Salinger classificou Ernest Hemingway (1899-1961), que conheceu em Paris, e John Steinbeck (1902-1968) como de segunda categoria, mas expressou sua admiração por Herman Melville (1819-1891).

Em 1945, Salinger casou-se com uma médica francesa chamada Sylvia, de quem se divorciou e, em 1955, casou-se com Claire Douglas, união que também terminou em divórcio em 1967, quando se acentuou a reclusão do escritor em seu mundo privado e seu interesse pelo budismo zen.

Os primeiros contos de Salinger foram publicados em revistas como “Story”, “Saturday Evening Post”, “Esquire” e “The New Yorker” na década de 1940, e o primeiro romance “O apanhador no campo de centeio” transformou-se imediatamente em sucesso e lhe consagrou aos olhos da crítica internacional.

A fama, no entanto, provocou em Salinger a aversão à vida pública, a rejeição à entrevistas e à invasão de sua vida privada que se manteve até sua morte.

Em 1953, ele publicou uma coleção de contos “Nove Histórias”; em 1961 outro romance, “Franny & Zooey”, e em 1963 uma coleção de pequenos romances “Raise high the roof beam, carpenters and Seymour: an introduction”.

Durante os anos 80, o escritor esteve envolvido em uma prolongada batalha legal com o escritor Ian Hamilton que, para a publicação de uma biografia, usou material epistolar escrito por Salinger.

Uma década depois, a atenção midiática que tanto evitava voltou a pousar sobre o autor, devido à publicação de dois livros de memórias escritas por duas pessoas próximas a ele: sua ex-amante Joyce Maynard e sua filha Margaret Salinger.

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