Em 2026, Dona Maria Idalina de Jesus, nossa eterna Maria Bonita, estaria completando 124 anos

Maria Bonita faz parte da história viva de Santa Rita do Sapucaí

“Vinda de uma família de ex-escravizados, analfabeta, nascida no bairro Rua Nova, um bairro carregado de memória e identidade , casou-se e teve 8 filhos, que criou praticamente sozinha, pois o marido partiu para São Paulo em busca de oportunidades.

Seu primeiro trabalho remunerado foi como vendedora de lenha. Carregava os feixes na cabeça e percorria a cidade para vendê-los. Depois foi babá e, por fim, cozinheira e quituteira até o fim da vida.

Maria Bonita mantinha um rancho na esquina da Avenida Antônio Paulino com a Rua Adelino Carneiro Pinto, onde hoje funciona o Estacionamento Avenida. Ali, em um grande fogão a lenha e em seu velho forno de pau a pique, preparava refeições e quitandas que marcaram gerações.

Eu morava na Avenida Antônio Paulino e, da minha casa, sentia o cheiro dos seus temperos, dos assados e dos quitutes. Comi ali os melhores biscoitos de polvilho da minha vida. E o pão cheio, então… simplesmente inesquecível.

Como tantas mulheres negras da época, Maria teve acesso à política “pela porta da cozinha”. Cozinhava nos banquetes oferecidos por Sinhá Moreira aos políticos e preparava lanches para eleitores. Mas sua atuação foi muito além.

Muito carnavalesca, fundou e liderou, na década de 1920, o bloco Mimosas Cravinas. Foi uma das lideranças na fundação do Clube Recreativo Associação Santa-ritense José do Patrocínio. Também liderou, junto a amigos, um movimento que resultou na paralisação de trabalhadoras domésticas que em sua maioria mulheres negras, num gesto de coragem e consciência social à frente do seu tempo.

Maria não apenas viveu. Ela construiu, alimentou, organizou e fortaleceu sua comunidade.

Maria doou sua vida ao povo de Santa Rita.

Viva Maria Bonita! 🌹✨”

Giácomo Costanti

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