Maria Bonita faz parte da história viva de Santa Rita do Sapucaí
“Vinda de uma família de ex-escravizados, analfabeta, nascida no bairro Rua Nova, um bairro carregado de memória e identidade , casou-se e teve 8 filhos, que criou praticamente sozinha, pois o marido partiu para São Paulo em busca de oportunidades.
Seu primeiro trabalho remunerado foi como vendedora de lenha. Carregava os feixes na cabeça e percorria a cidade para vendê-los. Depois foi babá e, por fim, cozinheira e quituteira até o fim da vida.
Maria Bonita mantinha um rancho na esquina da Avenida Antônio Paulino com a Rua Adelino Carneiro Pinto, onde hoje funciona o Estacionamento Avenida. Ali, em um grande fogão a lenha e em seu velho forno de pau a pique, preparava refeições e quitandas que marcaram gerações.
Eu morava na Avenida Antônio Paulino e, da minha casa, sentia o cheiro dos seus temperos, dos assados e dos quitutes. Comi ali os melhores biscoitos de polvilho da minha vida. E o pão cheio, então… simplesmente inesquecível.
Como tantas mulheres negras da época, Maria teve acesso à política “pela porta da cozinha”. Cozinhava nos banquetes oferecidos por Sinhá Moreira aos políticos e preparava lanches para eleitores. Mas sua atuação foi muito além.
Muito carnavalesca, fundou e liderou, na década de 1920, o bloco Mimosas Cravinas. Foi uma das lideranças na fundação do Clube Recreativo Associação Santa-ritense José do Patrocínio. Também liderou, junto a amigos, um movimento que resultou na paralisação de trabalhadoras domésticas que em sua maioria mulheres negras, num gesto de coragem e consciência social à frente do seu tempo.
Maria não apenas viveu. Ela construiu, alimentou, organizou e fortaleceu sua comunidade.
Maria doou sua vida ao povo de Santa Rita.
Viva Maria Bonita! 🌹✨”
Giácomo Costanti





















