Setor vive escassez de profissionais enquanto 5G, IoT e IA aceleram procura por especialistas em redes; trajetórias de engenheiros formados no Inatel mostram amplitude de atuação da carreira
A transformação digital que avança sobre todos os setores da economia tem ampliado a oportunidade para profissionais especializados em telecomunicações no Brasil. Segundo dados da Brasscom, estima-se que o país tenha demandado 797 mil profissionais de Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs) entre 2021 e 2025, com um déficit projetado de aproximadamente 530 mil especialistas no período. No recorte específico das telecomunicações, a associação estimou a criação de 34,6 mil novas vagas entre 2022 e 2025, mas alerta que a oferta de talentos é insuficiente para suprir a demanda crescente.
Esse movimento se intensifica à medida que a conectividade se torna infraestrutura crítica. O Brasil encerrou 2024 com 346,9 milhões de acessos aos principais serviços de telecomunicações, incluindo banda larga móvel, fixa e telefonia, segundo relatório recente da Anatel. A expansão do 5G, cuja cobertura já alcança 63,61% do território nacional, e o avanço de aplicações em Internet das Coisas (IoT), automação e IA reforçam a necessidade de profissionais capazes de projetar, operar e sustentar redes de alta performance.
Nesse contexto, a Engenharia de Telecomunicações volta ao centro das discussões sobre formação tecnológica. Antes concentrada nas operadoras, a área hoje é essencial para segmentos como indústria 4.0, agronegócio, automação, segurança digital, varejo omnichannel, logística, saúde, mobilidade inteligente e serviços públicos. Todos dependentes de redes robustas, escaláveis, de alta capacidade e baixa latência.
Diante desse cenário, instituições especialistas na formação de novos engenheiros ganham visibilidade. O Instituto Nacional de Telecomunicações – Inatel ocupa posição de destaque por oferecer o primeiro curso de Engenharia de Telecomunicações do país, integrado a centros de pesquisa e laboratórios ligados à indústria, sendo o responsável por formar os primeiros engenheiros da área e contribuir ativamente para o desenvolvimento tecnológico brasileiro.
Para o diretor do Inatel, professor Carlos Nazareth Motta Marins, a formação torna-se cada vez mais transversal. “Telecom é a base para qualquer solução tecnológica: IA, nuvem, carros conectados, cidades inteligentes. É uma porta de entrada para múltiplos setores de inovação. Nossos estudantes têm oportunidades de estágio em empresas globais de TICs, o que potencializa a formação e garante que o egresso chegue ao mercado com experiência prática na área”, aponta.
Da fibra óptica ao campo: histórias que mostram a amplitude da carreira
A diversificação no mercado de trabalho se confirma na trajetória de profissionais como Yara Mendes, 27, engenheira de telecomunicações formada pelo Inatel. Natural de Machado (MG), ela escolheu o Instituto por reconhecê-lo como referência nacional na área e por enxergar ali o caminho mais sólido para entrar e crescer no setor. Durante a graduação, participou de projetos, monitorias, iniciações científicas e atividades voluntárias que, segundo ela, foram decisivos tanto para ampliar sua visão sobre o mercado quanto para desenvolver competências comportamentais que hoje fazem diferença no seu trabalho. Yara também integrou a Fábrica de Talentos, programa de capacitação técnica e prática promovido pelo Inatel em parceria com a Huawei, realizando seu estágio no CIDC/BRDC. Foi essa experiência que aproximou sua formação do ambiente tecnológico real.
Atualmente, a engenheira atua como Technical Leader e SPOC da linha de produtos DWDM[1] na Huawei, coordenando a expansão de redes ópticas para suportar o crescimento do tráfego digital. Para Yara, a revolução tecnológica não exige apenas domínio técnico, habilidades como comunicação, liderança e capacidade de conduzir problemas com clareza foram aspectos fortemente estimulados em sua formação no Inatel.
“A evolução das redes aumenta a responsabilidade e a complexidade dos projetos. O Inatel sempre foi uma grande referência para mim. Eu sabia que, se quisesse entrar na área e me destacar, aquele era o lugar certo. A formação abriu portas desde o início, pelas palestras, workshops e principalmente pela proximidade com o mercado, que me ajudou a conquistar minha primeira oportunidade”, afirma a engenheira.
O movimento também acontece longe dos grandes centros urbanos. O engenheiro de telecomunicações, Igor Mendes, 31, aplica conhecimentos de telecomunicações para desenvolver soluções de conectividade para irrigação em áreas remotas. À frente da startup Soil, Mendes trabalha com tecnologias que permitem o controle automático de sistemas de irrigação, otimizando o uso de água no campo.
As soluções utilizam redes móveis, Wi-Fi, LoRaMesh e conexão via satélite para integrar pivôs de irrigação. A empresa, criada durante a graduação, já está presente em 10 estados brasileiros e nos Estados Unidos. “A conectividade é o motor da produtividade no campo. A evolução das telecomunicações permite novas tecnologias e impacto ambiental menor”, afirma. “O conhecimento em telecom foi decisivo para empreender no agronegócio. A resiliência, a capacidade de resolver problemas e as relações sociais desenvolvidas no Inatel foram fundamentais para transformar ideias em soluções aplicadas ao campo”, completa.
Por que os jovens precisam olhar para telecomunicações
A crescente demanda por especialistas em redes e sistemas de comunicação tem feito com que jovens interessados em tecnologia considerem, cada vez mais, a Engenharia de Telecomunicações como porta de entrada para diversas áreas da inovação. Para egressos do setor, a combinação entre base técnica sólida e vivência prática desde o início da formação é um dos fatores que melhor prepara o estudante para lidar com desafios reais do mercado.
“Eu realmente acredito que quem gosta de tecnologia deveria olhar para as telecomunicações com carinho. Tudo que usamos hoje depende disso: internet, nuvem, IA, cibersegurança, redes móveis… nada funciona sem uma base sólida de telecom. É um setor que movimenta o mundo. E o Inatel prepara muito bem quem quer seguir esse caminho”, afirma Yara.
Um dos diferenciais do Inatel é o contato que os alunos têm com o mercado de tecnologia desde os primeiros períodos e o estímulo ao desenvolvimento de competências comportamentais. Igor também compartilha sua experiência dizendo que “o Inatel desafia muito os alunos, o que fortalece tanto hard skills quanto soft skills. Isso nos prepara para enfrentar problemas reais e inovar”.
Para futuros estudantes que consideram ingressar na área, os egressos reforçam a importância de aproveitar atividades práticas, iniciação científica e projetos extracurriculares, habilidades que, segundo eles, são tão determinantes quanto a parte técnica. Mais informações sobre o curso e processos seletivos podem ser consultadas em https://inatel.br/vestibular
[1] “Dense Wavelength Division Multiplexing” (Multiplexação Densa por Divisão de Comprimento de Onda) é tecnologia que permite transmitir vários canais de dados simultaneamente por uma única fibra óptica, usando diferentes comprimentos de onda de luz.
ASCOM INATEL





















