Dois cães sobreviveram após passarem por procedimentos de castração clandestinos e extremamente violentos, realizados com poucos dias de diferença no distrito de Crisólia, em Ouro Fino, no Sul de Minas. Os animais foram resgatados em estado grave, com mutilações que poderiam ter resultado em morte. Os casos, que chocaram protetores e mobilizaram a comunidade local, estão sendo investigados pela Polícia Civil como crimes de maus-tratos.
O primeiro episódio envolveu o cachorro Bigato, encontrado com sangramento intenso e ferimentos profundos na região genital. O animal foi encaminhado com urgência para atendimento veterinário. Em entrevista à emissora EPTV, a veterinária Maria Nathália de Paiva, responsável pelo socorro, relatou a gravidade da situação:
“Foi uma maldade sem tamanho. Poderia ter gerado uma infecção gravíssima se não fosse atendido no mesmo dia. Ele quase morreu.”
Poucos dias depois, outro cão, chamado Bento, foi localizado em condições igualmente alarmantes. Desidratado e com lesões severas, apresentava uma ferida aberta que já havia se transformado em miíase (“bicheira”). A veterinária Giulia Barbosa Costa realizou uma cirurgia de emergência para salvar sua vida. Também em entrevista à EPTV, ela desabafou:
“A ferida virou uma ‘bicheira’, estava horrível. Por que fizeram isso? Ainda mais com campanhas de castração gratuitas acontecendo na cidade.”
A Polícia Civil já identificou um homem suspeito de ter realizado uma das castrações. Segundo o delegado Waldir Jorge Pelarico Júnior, o indivíduo foi ouvido e liberado após prestar depoimento. Ele alegou ter aplicado anestesia e usado álcool antes de soltar o cão, justificando que o procedimento teria sido uma tentativa de conter o animal, que brigava constantemente com outros cães de sua propriedade.
No caso de Bento, entretanto, ainda não há suspeitos identificados. O delegado classificou a ação como:
“Uma castração sem as devidas normas veterinárias, que causou mutilação, bastante sofrimento, agonia e dor.”
As investigações seguem em andamento e devem apurar responsabilidades nos dois episódios. A prática de maus-tratos contra animais é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), com pena que varia de 2 a 5 anos de prisão, além de multa e proibição da guarda de animais.
Os casos têm gerado grande repercussão na região, levantando debates sobre a importância da conscientização, da denúncia e do acesso a serviços veterinários adequados. Protetores de animais reforçam que campanhas de castração gratuitas estão disponíveis em Ouro Fino e que procedimentos realizados de forma clandestina não apenas configuram crime, mas colocam em risco a vida e o bem-estar dos animais.





















