Em apenas seis meses, o Sul de Minas registrou mais de 10 mil casos de violência doméstica contra mulheres. Os dados do diagnóstico da violência doméstica da Polícia Civil de Minas Gerais mostram um problema recorrente e que continua chamando atenção. O dia 10 de outubro é o Dia Nacional de Luta Contra a Violência à Mulher.
Em Minas Gerais, foram mais de 74 mil casos. Após os registros de janeiro a junho de 2019, pouco mudou. Recentemente, o Sul de Minas acompanhou novos casos de agressão e mortes de mulheres.
O mais recente foi nesta quarta-feira(09). Um homem foi preso em Botelhos depois de agredir a esposa, de 42 anos. A vítima contou à polícia que teve os cabelos puxados e sofreu golpes de canivete.
Ela foi levada ao hospital da cidade e ficou em observação. Os dois estavam separados e o ex não aceitava o fim do relacionamento.
Os dados da polícia consideram como violência contra a mulher qualquer ato ou conduta que cause morte, dando, sofrimento físico, sexual ou psicológico.
Outro dado aponta o alto número de estupros. De janeiro a agosto de 2019, foram 60 estupros e 12 tentativas no Sul de Minas.
Outro caso recente envolve uma mulher de Poços de Caldas , em um crime de repercussão em Nova Friburgo, na região Serrana do Rio de Janeiro.
A artista plástica Alessandra Vaz e uma amiga foram trancadas em uma casa em chamas pelo ex de Alessandra. Ela teve 80 % do corpo queimado e está em estado grave. A amiga, Daniela Mousinho da Silveira, de 47 anos, morreu no dia seguinte.
“A mulher sofre vários tipos de violência. É mais falada a violência física. Só que na verdade, a própria violência psicológica, ou moral, menosprezar a mulher, tratar com desrespeito, também é uma forma de violência”, explicou a médica legista da Polícia Civil, Tatiana Telles de Matos.
A legista explica que, geralmente, a violência começa com o tratamento psicológico e evolui para a física. “Existe também a sexual, porque a mulher, ainda que casada, não tem a obrigação de ter relações sexuais com seu marido. Ela é dona do próprio corpo, tem a prerrogativa de querer ou não. Então obrigar a mulher também é um tipo de violência”.
Outro tipo muito comum, segundo a polícia, é a chamada violência patrimonial. “Quebrar os bens da mulher, rasgar documentos que a pertencem. Então existem vários tipos”, detalha.
Ainda conforme Tatiana, em muitos casos há um envolvimento afetivo que virar um obstáculo na hora de fazer a denúncia. “Segundo, porque existe a vergonha. O que a minha família vai falar, o que meus amigos, meus vizinhos vão falar. Depois, ela tem medo de prejudicar o agressor, porque é pai dos filhos, uma dependência financeira”.
As denúncias podem ser feitas tanto pelas vítimas quanto por testemunhas de violência, em qualquer delegacia.
G1 Sul de Minas