O empreendedor nasce empreendedor. Está em sua essência. Ele é um bicho diferente. É um ser que navega na incerteza e se acostuma com ela. Ele não se contenta com um salário no fim do mês, ele quer experimentar a vida, se possível intensamente. Adora o desafio e seus riscos. É o que dá sentido à sua existência. Sem isso, o viver para ele é algo completamente sem graça.
O empreendedor confia no futuro, apesar do futuro não ser confiável, apesar do amanhã ser um ponto de interrogação. Ele caminha no escuro tentando não tropeçar. Por isso, para ser empreendedor, é preciso ter estômago forte, fígado, rim… e principalmente coração.
Em países atrasados como o Brasil, a situação é ainda pior. Não há incentivo, só obstáculo.
Como um camaleão, é preciso se adaptar aos planos econômicos, crises, impostos e mais
impostos, leis trabalhistas e por aí vai.
Martin Luther King disse: “Se você não pode voar, então corra, se você não pode correr, ande, se você não pode andar, engatinhe, mas tudo que você tem que fazer é continuar seguindo em frente”.
O empreendedor é assim, caminhando sempre adiante, apesar dos dissabores. E ai do mundo se não fossem os empreendedores. Computador, carro, avião, telefone, internet, tudo isso é fruto do empreendedorismo. Aqueles que criaram e trouxeram essas inovações para a nossa vida são chamados de visionários hoje, mas lá atrás eram considerados loucos, sonhadores, idiotas.
Quanto trabalho, quanto amor, quanta persistência, quantos altos e baixos, retrocessos e
fracassos, quantos picos e vales esses grandiosos empreendedores tiveram que enfrentar.
Maya Angelou, uma escritora americana que eu não tinha a menor ideia de quem era até olhar no Google, disse: “Você pode encontrar muitas derrotas, mas você não deve ser derrotado. Na verdade, pode ser necessário encontrar derrotas, assim você pode saber quem você realmente é, o que pode crescer e como você pode sair da derrota”.
Winston Churchill (esse eu sei quem foi) disse do alto de sua liderança na Segunda Guerra
Mundial: “Se você está atravessando o inferno, continue”. Ele, no comando da Inglaterra,
realmente teve que atravessar o inferno.
O empreendedor é exatamente assim. É uma espécie de masoquista, que sofre sorrindo. Em resumo, é um louco, um solitário.
Sempre fui um empreendedor. Bem feito pra mim.
• Dedico esse texto ao meu caro amigo Cientista, um empreendedor que há décadas
mantém o Jornal Três, enfrentando tudo com unhas e dentes.
Sandro Mendes


























