Um evento memorável celebrou os 100 anos do nascimento da fundadora da Alca – Academia de Letras, Ciências e Artes de Santa Rita do Sapucaí, Edméa Sodré de Azevedo Carvalho. A Sessão Solene aconteceu no último dia 21 no Auditório Aureliano Chaves no Inatel – Instituto Nacional de Telecomunicações e contou com a presença de 20 acadêmicos e de um grande público. Também nesta ocasião um novo membro correspondente tomou posse de uma das cadeiras da Academia: Ricardo Arnaldo Malheiros Fiuza.
O acadêmico Ronaldo de Azevedo Carvalho fez uma longa exposição em seu discurso. Filho da fundadora Edméa Carvalho, Ronaldo contou emocionado o quanto a sua mãe era uma pessoa a frente de seu tempo e da felicidade de ter tido a ideia de se criar uma academia de letras. Falou do quanto esta Academia é importante para Santa Rita do Sapucaí (MG), realizando Sessões Solenes, saraus de literatura e exibição de filmes de arte.
Também em seu discurso Ronaldo Carvalho saudou o novo membro correspondente da Alca, Ricardo Fiuza. Fiuza é jurista, professor, escritor e fotógrafo, reside em Belo Horizonte (MG). Vai ocupar a cadeira de número 57, do patrono José de Andrade e Silva – contista e engenheiro, por sinal o engenheiro responsável pela construção do prédio do Hospital Antônio Moreira da Costa. Ronaldo Carvalho, primeiro num tom de provocação e depois de conciliação, explanou sobre a colonização portuguesa; criticamente. Mas depois não deixou de dizer das vicissitudes que a herança portuguesa deixou para o Brasil, em seu processo civilizatório e cultural. Ao final do discurso, Ronaldo Carvalho entregou para Ricardo Fiuza a insígnia da Alca e o diploma de acadêmico.

O acadêmico Décio de Almeida Azevedo, irmão de Edméa Carvalho, se emociona em seu discurso durante sessão solene da Alca realizada no último dia 21 de abril. (Foto: Ériton Queles/Alca).
As homenagens a Edméa Carvalho prosseguiram com o discurso de Marilda Viana Kielblock, do Clube Feminino da Amizade, que nesta ocasião representou Maria Aparecida Viana de Souza Caputo (Sydia) – presidente da entidade. Marilda lembrou em sua fala o quanto Edméa Carvalho era prestativa e dinâmica. “Nos identificamos com esta casa e homenageamos a todas as confreiras e confrades que deram seguimento à iniciativa do ideal de cultura desta extraordinária mulher, que sempre foi muito dinâmica e prestativa a todas as entidades de nossa cidade”, argumentou Marilda.
Na sequência, ocupou a tribuna Beatriz Carvalho Kallás, filha de Edméa Carvalho, que fez um emocionado discurso em nome dos filhos da professora e escritora. “Mamãe sempre gostou de escrever. Um dia escutei dela: ‘o presente que mais gosto de receber é uma caneta e uma agenda nova’. […] Nesta agenda nova ela escrevia, com sua letra bonita, o seu diário… Eram frases de alegria ao receber a visita de um filho ou filha ou de um neto ou de um parente distante, notícias de suas conquistas”.
O acadêmico Décio de Almeida Azevedo, único irmão vivo de Edméa Carvalho, ocupou lugar na mesa de trabalhos. Fez uma delicada e sensível explanação, na condição de irmão, de confrade e de certa forma “filho”. Edméa, um pouco mais velha, ajudou a cuidar e a educar os irmãos mais novos, já que o pai falecera ainda muito jovem. Décio se lembrou de sua infância e do difícil começo da então Academia Santarritense de Letras, fundada em 1985. “Poucos acreditavam que um dia, quase 32 anos depois, estivéssemos aqui celebrando o centenário de nascimento de nossa fundadora e de minha querida irmã”. Na sequência, foi entregue um quadro em homenagem ao Centenário de Nascimento de Edméa Carvalho à filha caçula da escritora, Mônica Carvalho de Freitas.
As homenagens a Edméa Carvalho foram encerradas com uma apresentação ao piano pelo acadêmico Caio Nelson Vono Azevedo que executou cinco peças.
Ao final da sessão, o novo acadêmico Ricardo Fiuza, profundo estudioso da cultura lusófona, presenteou a todos com a palestra “O fado: poesia portuguesa”.




















