Simulação foi feita no laboratório da Universidade Federal de Itajubá
Testes feitos no laboratório de alta tensão da Universidade Federal de Itajubá comprovaram que uma serpentina metalizada pode causar um curto-circuito ao entrar em contato com fios da rede elétrica. O material é considerado pela polícia como um dos possíveis causadores de uma explosão em cabos de média tensão em Bandeira do Sul que resultou na morte de 15 pessoas no último domingo (27).
Confira a cobertura completa do acidente
No laboratório, o equipamento simula de maneira segura uma tensão na rede de 13.800 Volts. Assim que o aparelho é ligado em contato com a serpentina metalizada, são constatados picos na corrente que representam o curto-circuito. A energia elétrica passa pela fita até que ela arrebenta. O professor Antônio Tadeu Lírio de Almeida explica que a situação poderia ter o mesmo feito com pedaços de papel ou até mesmo um cabo de vassoura encostados na rede, e por isso alerta que as pessoas devem manter uma distância segura dos fios.
As imagens do momento da explosão, feitas por um cinegrafista, foram analisadas por um professor do curso de Engenharia Elétrica de Poços de Caldas. Marcos Trevisam Vasconcelos explica que os cabos estavam muito próximos do trio elétrico, e considera a situação preocupante. O professor confirma que a alta temperatura depois do curto-circuito danificou a fiação de média tensão.
Relatos
Sobreviventes do acidente ainda se recuperam dos ferimentos de uma descarga elétrica de quase oito mil volts que matou 15 pessoas. O estudante Douglas Rodrigues da Silva, de Botelhos, teve queimaduras de segundo e terceiro grau nas costas, braços e coxas. O rompimento de cabos da rede de eletricidade, provocado por um curto-circuito, atingiu um trio elétrico durante o pré-carnaval da cidade. “O barulho parecia de foguete”, relata. Com a falta de estrutura da delegacia responsável pela investigação em Bandeira do Sul, o caso foi transferido para Poços de Caldas.
A técnica em enfermagem Nayhara Oliveira Rosa também estava perto do trio. Ela foi atingida pela carga elétrica, mas não ficou ferida. A costureira Fernanda Estéfani Gonçalves que estava em cima do caminhão, perdeu um tio no acidente. Ele foi ajudar pessoas que estavam próximas, recebeu a descarga e morreu.
Sem certificação
O rótulo da serpentina metálica que pode ter provocado o curto-circuito traz um alerta contra o uso do material perto da rede elétrica apenas em inglês. O diretor do Instituto de Pesos e Medidas de Minas Gerais (Ipem-MG), Tadeu Mendonça, informou que a serpentina metalizada não é certificada pelo órgão, mas esclareceu que a falta de regulamentação ou certificação não impede a venda do produto.
O lança-serpentina, importado da China, funciona com gás comprimido: é só girar a base, que a fita metálica se solta. O Código de Defesa do Consumidor exige rótulos com informações em português dos produtos comercializados no Brasil. De acordo com a polícia, quatro artefatos de lança-serpentina foram apreendidos, um já usado e outros três intactos.
Parte dos fios da rede telefônica da cidade onde ocorreu o incidente têm serpentinas metálicas presas. A polícia investiga se essas fitas teriam provocado o curto-circuito e aguarda o laudo da companhia de energia elétrica – a Cemig.
O pré-carnaval de Bandeira do Sul foi organizado pela prefeitura, que responsabiliza a Cemig pela tragédia. “Quando deu curto lá esse fio tinha que ser desligado. Alguma coisa faltou por parte da Cemig”, disse o prefeito José dos Santos.
Em nota, a Cemig disse que não irá se pronunciar sobre as alegações do prefeito de Bandeira do Sul. A empresa diz que as análises preliminares indicam que uma serpentina metálica teria sido jogada sobre a rede elétrica, provocando um curto-circuito com o rompimento de três cabos. Um caiu sobre o trio elétrico e outros, no solo. A Cemig informou ainda que aguarda o resultado oficial da perícia feita pela polícia e pelos bombeiros.
Feridos
Treze pessoas permanecem internadas. Nove pessoas estão na Santa Casa de Poços de Caldas, uma delas é Karolini Alves Franco, 14 anos, internada em estado grave na UTI. Outro paciente em estado grave é Valdecir Roberto da Silva, 31 anos, ele está na UTI do hospital Pedro Sanchez, também em Poços de Caldas. Mais dois feridos correm risco de morte; Ramon Ambrogi, 18 anos e Stenia Honorato do Carmo, 15 anos, internados na unidade de queimados do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.
Outras dez pessoas que estão internadas na Santa Casa de Poços são:
Cristiano Gabriel Pereira, 21 anos
Isadora Muniz Reis, 18 anos
Jenifer Fernandes Tobias, 12 anos
Larissa Marques Barreiro, 13 anos
Nayara Franciele Garcia do Carmo, 17 anos
Paulo Sérgio Soares dos Santos, 16 anos
Raianny Gabrielly Silva Ferreira, 07 anos
Yale Alves Franco, 11 anos
Augusto José Siqueira, 17 anos




















