CEI aponta desvio de verbas na Câmara de Vereadores

Relatório final aponta envolvimento de 12 pessoas

Um relatório concluído nesta semana por uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) apontou que 12 pessoas ligadas à Câmara de Vereadores de Inconfidentes, no Sul de Minas Gerais, estariam envolvidas num esquema de desvio de verbas.

O relatório com 8 mil páginas aponta fraudes em cheques e documentos da Câmara de Vereadores entre os anos de 2006 e 2009. Segundo a CEI, o ex-assessor administrativo da câmara, Marcelo Fernandes da Costa, teria desviado quase R$ 190 mil.

A relatora do processo, Simone Terezinha de Almeida, disse que Costa fazia todo o procedimento, inclusive com o empenho para o pagamento, mas daí ele fazia de conta que pagava as despesas mas ficava com o dinheiro para ele. “A documentação arquivada não contém a quitação da dívida”, diz a relatora.

As investigações revelaram que o ex-assessor falsificava os cheques para pagamento de fornecedores e tributos e colocava o nome dele como beneficiário. Há ainda o caso do pagamento para o INSS. Neste caso, Costa arquivava a guia de recolhimento sem autenticação junto com o cheque falsificado.

Marcelo Fernandes da Costa chegou a ser preso em maio do ano passado, mas três meses depois ganhou o direito de responder ao processo em liberdade. Esse direito ele conquistou depois de devolver parte do dinheiro desviado. Ele depositou R$ 10 mil na conta corrente da Câmara de Vereadores e ainda deixou um imóvel no valor de R$ 300 mil como garantia.

O ex-assessor ainda mora em Inconfidentes, mas na casa dele ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto.

O relatório da CEI aponta ainda o nome de mais 11 pessoas entre ex-vereadores, ex-presidentes da Câmara de Vereadores, ex-secretários e servidores que podem ter cometido o crime de negligência ao assinar cheques sem conferir os documentos.

O secretário da CEI, José Acácio Bueno da Silva, diz que alguns servidores estão na ativa ou foram reeleitos e estas pessoas, se estiverem envolvidas, podem ser cassadas.

Para o presidente da Câmara de Vereadores, Carlos Eduardo Souza, o Legislativo vai ter de negociar a dívida com o INSS que hoje gira em torno de R$ 85 mil. O presidente reconhece a dívida mas vai pedir um parcelamento.

O relatório final da CEI será encaminhado ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas da União ainda esta semana.

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