“Subimos nos destroços e gritamos para tentar salvar mais alguém”

O relato emocionante é do estudante mineiro Gustavo Oliveira, sobrevivente da tragédia na Ilha do Bananal

Jaqueline da Mata – JornalHoje em Dia

Luiz Costa

Gustavo Oliveira e o pai na chegada em BH

Gustavo encontrou-se com os pais na madrugada deste sábado

“Subimos nos destroços e começamos a gritar para ver se conseguíamos salvar mais alguém”, relatou o  estudante de arquitetura, Gustavo Pucci de Oliveira, 22 anos, sobrevivente do deslizamento na Ilha do Bananal, em Ilha Grande, que atingiu a Pousada Sankay, onde estava hospedado. Ele conseguiu salvar dois amigos e num ato de coragem, voltou ao quarto na tentativa de achar outros amigos. Esgotado, abalado, usando uma blusa de malha e uma bermuda, Gustavo, que chegou a Belo Horizonte por volta das 2 horas de ontem, contou com exclusividade à reportagem do HOJE EM DIA e da Record Minas os momentos dramáticos que passou na madrugada do primeiro dia do ano novo.

No quarto onde Gustavo estava dormiam outras sete pessoas, todos amigos em comum:  Yumi Imanishi Faraci, Cristiano  Dayrell, Eric Ferreira Crevels,  Luciana Rattes, Natasha (uma amiga de Angra dos Reis de Yumi) e o casal Isabella Godinho Rocha e Paulo Sarmiento, que também morreu. Ele contou que apesar de estar na cama (um beliche) não tinha dormindo ainda, por volta das 4 horas. “Não estava dormindo quando escutei um estrondo e quando olhei para baixo vi a lama entrando. Estavam todos dormindo no momento”, disse Pucci. Quando escutou o segundo estrondo viu a lama entrando no quarto. Ele ajudou os dois amigos a sairem do quarto e depois voltou e ainda conseguiu pegar uma laterna que tinha guardado para ajudar a iluminar.

“Estava tudo escuro e cheio de destroços. Sinceramente, não sei o que aconteceu”, contou o estudante. Ele disse que quando voltou ao local onde era o quarto encontrou com o dono da pousada Geraldo Faraci, pai de Yumi. “Foi quando começamos a gritar para ver se achava alguém debaixo de toda aquela lama. Quando os bombeiros chegaram estávamos tentando retirar Nastasha dos destroços”, relembrou Pucci.

O universitário chegou em Belo Horizonte, onde mora, por volta de 2 horas de ontem. Ele e outros dois amigos, Eric e Cristiano encontraram o pai de um deles que os trouxe de volta à capital. Os pais de Gustavo, Heloisa e José Pinto de Oliveira sairam de madrugada para buscar o filho no trevo de Brumadinho. Extremamente gentis falaram com a reportagem. A mãe de Gustavo contou que na noite do Reveillon teve uma sensação ruim. “Quando meu filho falou comigo eu não sabia de nada. Ele me ligou por volta das 10h30 contando da tragédia. Ganhei 50 vezes na megasena por meu filho ter sobrevivido.”

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