Motorista paulistano inventa equipamento para passar com carro em enchentes

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Foto: Divulgação Zoom

O Prolong já tem algumas patentes, mas a produção é artesanal

Karina Gomes

cidades@eband.com.br

No trajeto para o trabalho, o design gráfico Antônio Sérgio Rodrigues, 57, ficou parado neste ano em um congestionamento no Viaduto Bresser, na zona leste de São Paulo. Em um trecho de desnível, havia quase meio metro de água e ninguém se arriscava a passar. “Com o Prolong, eu passei numa boa e todo mundo continuou esperando a água baixar”, contou. O equipamento criado por Rodrigues prolonga a saída do escapamento com um tubo de PVC de altura de 70 cm e é sustentado por um mosquetão preso ao porta-malas. A invenção dá vazão para o ar do motor, evita falhas mecânicas e elétricas e ajuda o motorista a não ficar parado em uma enchente, como a que ocorreu nesta terça-feira, dia 8, na capital paulista.

Segundo Felício Félix, analista técnico do Cesvi Brasil (Centro de Experimentação e Segurança Viária), passar com o carro em áreas alagadas pode provocar o calço hidráulico – falha mecânica ou elétrica que ocorre quando o motor absorve muita água. “A invasão da água contaminada nas câmaras de ar impede a compressão dos gases e danifica os componentes do motor. O custo é alto para fazer a reparação, cerca de R$ 2 mil”, explicou. Se mesmo com esses cuidados o carro parar, o motorista nunca deve tentar dar uma nova partida no motor. “Se insistir, o calço hidráulico vai ser mais acentuado e os problemas de reparação serão maiores”, disse.

Para o analista, a invenção de Rodrigues é muito útil em um dia de enchente. “É uma ótima ideia, mas também é preciso ter cuidado com os outros componentes. Os módulos de injeção também precisam ser protegidos”, afirmou. A dica mais segura é o motorista não enfrentar situações de alagamento seja qual for o nível da água. “Se não for possível, ele deve passar pela água com velocidade baixa para evitar a movimentação brusca da água e tentar trafegar por espaços que tenham menor quantidade de água acumulada”, explicou Félix.

Se o carro for tomado por uma inundação e o motorista tiver prejuízos é possível ainda pedir uma indenização para o Estado. “Para que haja responsabilidade civil do Estado pelos danos ao automóvel é preciso estabelecer uma relação de causa e efeito entre o prejuízo e um ato ou omissão do Estado”, disse a especialista em responsabilidade civil da Escola de Direito da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Flavia Portella Püschel. “Se a enchente em determinada região foi causada por falha em uma bomba ou uma autoridade encarregada não alertou o perigo de enchente, por exemplo, é possível responsabilizar o Estado pelos danos sofridos”.

As seguradoras também podem cobrir os custos de reparo, mas cada uma tem cláusulas próprias. O cliente deve conhecer o plano e saber em quais circunstâncias pode ter cobertura dos danos causados pela enchente. Em carros mais sofisticados que tenham módulos eletrônicos como tração e airbag, o custo de reparo é ainda mais alto. “A carroceria e a lataria são pouco afetadas, mas com essas falhas eletromecânicas o carro perde a funcionalidade e o prejuízo é grande”, avaliou Félix.

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