Quatorze horas seguidas de chuva deixam saldo de seis mortos e mil desalojados em São Paulo

O Globo, SPTV, CBN, GloboNewsTV

Caminhão submerso na Ponte das Bandeiras, na Marginal Tietê Foto de Marcos Alves, O Globo

SÃO PAULO – A chuva que caiu intermitente por cerca de 14 horas parou a capital paulista nesta terça-feira e causou a morte de seis pessoas na Grande São Paulo – uma na capital paulista, uma no município de Itaquaquecetuba e quatro irmãos em Santana do Parnaíba – dois gêmeos de 7 anos, uma menina de 9 e um rapaz de 18. A maioria das vítimas morreu em decorrência de deslizamentos ou desabamentos ocorridos em moradias erguidas em áreas de risco.

(Veja fotos dos alagamentos em SP)

Os rios Tietê e Pinheiros transbordaram. Choveu forte durante toda a madrugada e a cidade entrou em estado de atenção desde 3h14m. Foi o terceiro transbordamento do Rio Tietê após obra bilionária de rebaixamento da calha , inaugurada em 2006.

A promotora Maria Amélia Nardy Pereira, do Ministério Público Estadual, que investiga a ampliação da marginal Tietê diz que estudos mostram que impermeabilização agrava o problema das enchentes . A Dersa, responsável pela ampliação, nega que as obras tenham relação com a enchente registrada nesta terça-feira.

Balanço da Defesa Civil do município divulgado na tarde desta terça informa que mil pessoas ficaram desalojadas e pelo menos 222 imóveis foram interditados por causa do risco de desabamento.

De acordo com o CGE, o volume de chuvas desta terça-feira na capital paulista foi o maior, em único dia, nos últimos três anos. Até as 13h, o CGE contabilizou 67,4 milímetros de chuva, em média na cidade. O maior índice anterior havia sido registrado em 29 de março de 2006, com 73,3 milímetros. Segundo a Climatempo, em oito dias, choveu em São Paulo 70% de toda a precipitação esperada para o mês de dezembro.

A Marginal Tietê, principal acesso à cidade pelas rodovias Anhanguera, Dutra, Bandeirantes, Fernão Dias e Castello Branco, foi tomada pelas águas do rio em pelo menos três pontos – sob as pontes Bandeiras, Vila Guilherme e Aricanduva – e teve de ser interditada. A Defesa Civil pediu aos caminhoneiros em trânsito que parassem nas estradas e não se aproximassem da cidade. As rodovias bloquearam o acesso à Marginal Tietê. Ônibus que chegavam do interior do estado tiveram de voltar às cidades de origem. Números da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que administra o trânsito na capital, indicam que circulam diariamente, em média, 700 mil veículos por ela, sendo 577 mil automóveis, 15 mil ônibus e 108 mil caminhões

Segundo o governo do estado, uma bomba de água falhou no Rio Pinheiros, prejudicando ainda o escoamento das águas no Rio Tietê.

Na Zona Leste da capital, a vítima foi um homem de 45 anos, que morreu soterrado na Favela Santa Madalena, que fica numa travessa da Avenida Sapopemba. O barraco ficava em cima de um morro, que cedeu. Cães farejadores acharam o corpo de Francisco Oliveira Lima no começo da manhã. Ele morava sozinho. Outras 22 moradias no local foram interditadas e desocupadas pela Defesa Civil.

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Em Santana do Parnaíba, o deslizamento de terra soterrou um barraco, matando os quatro irmãos. Os primeiros a serem achados foram os corpos de gêmeos de 7 anos. O último foi o de uma menina de 9 anos, Gilmara Oliveira dos Santos. O pai saía para o trabalho quando ouviu o estrondo. A mãe das crianças, que estava em outro cômodo, passou mal e teve de ser internada.

O pai das crianças, Gilmar de Souza, estava em choque nesta manhã.

– Eu estava tomando banho, já tinha feito café, fui ao banheiro, e quando estava saindo do banheiro ouvi um barulho e vi meus filhos já soterrados – contou.

Em Itaquaquecetuba, um córrego transbordou e arrastou uma casa que havia sido erguida no local. O corpo de Delzi Conceição Ferreira, de 57 anos, foi encontrado entre os destroços da moradia . A PM diz que Delzi vivia sozinha no local há dois meses. Segundo a Defesa Civil, a moradia foi erguida bem em cima do córrego, que tinha 2 metros de largura antes da chuva.

Em Francisco Morato, na Grande São Paulo, os bombeiros e a Polícia Militar resgataram uma mulher de 45 anos que ficou soterrada após cair num poço . Segundo os bombeiros, um barranco perto da casa da mulher, na Rua Santo Agostinho, no Jardim Santa Rosa, cedeu por causa da chuva. Com o deslizamento de terra, ela foi arrastada e acabou caindo no poço artesiano que tem no seu quintal.

O poço, de 35 metros de profundidade, não tinha água e o muro dele está prestes a ceder. A mulher ficou com areia pela cintura dentro do poço. De acordo com os bombeiros, ela teve apenas escoriações e ferimentos leves e foi levada de helicóptero para o Hospital das Clínicas, na capital paulista.

Na capital, as águas do rio também invadiram o Jardim Pantanal, em de São Miguel Paulista, Zona Leste, atingindo um metro e meio em alguns pontos. A Defesa Civil está providenciando a retirada de moradores de áreas de risco em São Miguel Paulista, São Mateus e Itaim Paulista, na Zona leste, e no Butantã, na Zona Leste. O bairro do Ipiranga está em alerta.

Na Zona Oeste, a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), que abastece a Grande São Paulo e várias outras cidades do estado com verduras, frutas, legumes e até flores ficou debaixo d’água. A Ceagesp não tem previsão de quando poderá retomar as atividades.

Nas sete primeiras horas desta terça-feira, choveu na capital paulista 64 milimetros, o que equivale a 32% da média histórica para todo o mês de dezembro, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE). A cidade teve ainda 98 pontos de alagamento ao longo da manhã, o maior índice do ano. O CGE avalia que o grande problema da chuva desta terça-feira foi a continuidade por um longo período e não a intensidade, já que não houve pancadas fortes.

Na Zona Norte, o aeroporto do Campo de Marte alagou e a Rodoviária do Tietê parou. Os ônibus não puderam deixar o terminal e os passageiros ficaram nas plataformas. Ônibus vindos de outras cidades e estados também não chegaram.

Na Avenida Zachi Narchi, na Zona Norte, uma grávida entrou em trabalho de parto e teve de ser resgatada por um helicóptero Pelicano da Polícia Civil. Ela foi levada para o Hospital Santa Joana, onde deu à luz uma menina que ganhou o nome de Tália Vitória.

O congestionamento chegou a 128 km, medido às 9h pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Segundo a CET, todas as multas por rodízio serão canceladas, já que os motoristas ficaram parados nos alagamentos. O rodízio foi mantido na parte da tarde. A decisão de suspender o rodízio é do próprio prefeito.

Os trens da CPTM circulam parcialmente na linha Coral, entre Ferraz de Vasconcelos e Poá, que alagou. Os trilhos também foram cobertos na linha que segue pela Marginal Pinheiros, na altura da Estação Hebraica, na Zona Sul da capital.

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