Vigilância investiga venda de receitas médicas em MG

EPTV flagrou prática em Nepomuceno e Conceição do Rio Verde

A Vigilância Sanitária de Minas Gerais e o Conselho Regional de Medicina (CRM) de Belo Horizonte investigarão a venda de receitas de remédios controlados no Sul de Minas Gerais, após a denúncia da EPTV exibida nesta quarta-feira (14) no Jornal Hoje. Com uma câmera escondida, a reportagem mostrou a facilidade de se conseguir receitas de medicamentos tarjas preta e vermelha, como Rivotril e Diasepan, que têm o comércio controlado.

As receitas médicas vendidas, que já estão com a Vigilância Sanitária, foram analisadas pelo médico farmacêutico Paulo Pazzoti, responsável pelos talonários, que encontrou outras irregularidades. “A receita médica tem validade de 30 dias. Quando o médico não preenche essa data, ele dá a oportunidade do paciente comprar o medicamento na data que lhe for mais conveniente”, explica. “Se for constatado falta de ética profissional do médico ele perderá o acesso a esse tipo de receituário”, conclui.

A Vigilância abrirá um processo investigativo e as receitas serão encaminhadas ao CRM. “Nós temos cinco punições conforme os casos, que vão desde advertência à suspensão e cassação do diploma”, informa o delegado do CRM de Belo Horizonte, Luiz Henrique Souza Pinto.

Nepomuceno

Com uma câmera escondida, a equipe da EPTV foi até uma clínica de Nepomuceno. Após efetuar o pagamento das receitas, a reportagem é encaminhada para a sala do clínico geral Jorge Anzai Júnior, que assina as receitas. Uma semana depois, a reportagem foi falar com o médico em uma policlínica. “Eu acredito que alguém tenha utilizado de má fé e pedido uma receita para mim com nome de outra pessoa”, alegou. Ao ser questionado se ele cobrou pela receita, o médico disse não se lembrar e que atende muitas pessoas no consultório.

Conceição do Rio Verde

Também é possível conseguir as receitas, até por telefone, no hospital São Francisco de Assis, em Conceição do Rio Verde. Depois de acertado o negócio, a reportagem foi até o hospital. Sem ter nenhum contato com o médico, o produtor sai do hospital com as duas receitas assinadas pelo Doutor Antônio Augusto Leandro. “Não fiz por telefone. Paciente meu vai lá na portaria e pede que eu faço. Pode ser que na hora eu tenha confundido com algum paciente meu”, explica.

O diretor do hospital, Edson Nabak, admite a prática. “É uma questão humanitária até. É para ajudar os pacientes, mas não para vender. Pode ser que cobrem um valor simbólico apenas para cobrir o talonário”, informa. O CRM fiscalizará o hospital pra saber se há mais médicos envolvidos.

Usados irregularmente, o Rivotril e Diasepan podem causar dependência. O Venproporex é usado para emagrecer e o Pondera é um antidepressivo. “O uso incorreto pode causar disfunções gastro-intestinais, irritabilidade, convulsões, tensão, ritmia cardíaca, entre outros, além de culminar em morte”, adverte o cardiologista Flávio Pazzuto.

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